segunda-feira, dezembro 06, 2004

O despertar de um coma profundo

Voltei só para dizer que as coisas estão melhores, e que agora apesar deste blogue voltar a fazer sentido, vou instalar-me de vez no Pastelinho. Quem me tiver linkado pode abandonar o espaço, e ocupá-lo com outros. O Emmet irá com certeza escrever no pastelinho a partir de agora. Abraços e obrigado pelas visitas.

Miguel Bordalo

terça-feira, junho 29, 2004

Estamos fartos!

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Já não consigo, o Emmet anda desorientado, quero escrever e ele não me deixa... quero falar de Stan Getz! ele não me leva a mal, está morto à um bom par de anos! NÃO!
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Mas que merda! Ando por aí a ler blogues e por vezes as tripas até se me reviram todas! Qual é a razão pela qual alguém escreve sobre Zero 7, que o seu novo disco é mais do mesmo? Não gostou, a personagem? Já nem sei quem foi... Quem é que num blogue seja qual for, quem é que num jornal seja qual for, quem é que numa televisão seja qual for, escreve e fala sobre um artista, sobre um autor ou sobre um bom projecto, que ele se repete? Quem? Que raio de lata é que esse vil personagem sem réstia de imaginação ou sentido de armonia tem de por em causa um quadro bom por já o ter visto antes? –Já vi um parecido!- Olha que bardamerda, se não vão dizer algo construtivo não digam nada! Têm que dizer? Olha hoje tenho que dizer que este tipo é muito bom, mas só no que já fez, nem quero ouvir mais nada... olha que foda!
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Escrever sobre música... escrever sobre arte... ou se escreve porque se gosta ou não se escreve, ou então se somos obrigados a isso descrevemos pelo menos. Odeio crrrriticos! Odeio-os a todos! Vivem sobre aquilo que os outros criam e nem reconhecem isso, CARRAÇAS! PULGAS! PARASITAS DE MERDA!
Emmet pára!
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É que gostar, ou tentar ouvir... Emm..eu queria falar mais sobre música mas não posso, não consigo, talvez consiga qualquer dia, mas agora não.
E que raio! Porque é que os Chutos e Pontapés foram condecorados? Pela mesma razão que os Trovante voltaram a tocar novamente, porque são amigos do presidente!?!? Mas que raio de importância isso tem? O que é que os Chutos, uma banda engraçada fez? Música portuguesa não foi! Porque o malhão cantado em inglês não é música anglo-saxónica, o fado cantado noutra lingua não deixa de ser fado! Nem o rock deixa de ser rock nem o jazz deixa de ser jazz nem a puta da ópera deixa de ser ópera nem a merda do pimba deixa de ser música de feira ORA QUE PORRA!
Emmet calma...
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Pois é meus amigos, música é para quem gosta, ou para quem tem gosto. De música talvez fale mais aqui, o Emmet, que servia para celebrar a música e a arte deixou de fazer sentido, um homem que é um censor vai para primeiro ministro. É uma vergonha e um ataque à arte e ao bom gosto...
Mas que MERDA! Como é que há gente que acorda de manha e pensa, sinto-me bem votei pelo Santana e ele é o meu presidente da câmara, e agora! Olha que sorte! É o nosso primeiro! Yupi! Vão-se foder! TODOS!



Música para mim é para ouvir, e tocar, em segredo, o Emmet ficará sempre vivo assim...
À minha namorada, o amor da minha vida, fiquei com tanta coisa por escrever, tanta coisa que tu querias rever pelas minhas palavras desajeitadas mas que sempre te servirão, porque és a mais solidária, e o meu apoio para tudo, e para os momentos de tristeza, um beijo que te darei ainda hoje ao vivo como gostamos.



Estarei aqui no Pastelinho, a escrever sobre coisas mais urgentes, e talvez, com algum cuidado, fale um pouco de arte, quem sabe...?



Para todos aqueles que me lêm quase do inicio, se ainda não viram o Sweet and Lowdown, porque raio é que eu estou para aqui a falar...

MD

terça-feira, junho 22, 2004

A catarse de uma experiência auto derrotada

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O filme que hoje venho aconselhar é uma ideia muito engraçada, é uma espécie de uma catarse de um momento da história que foi muito pouco explorado a nível das artes e letras, a queda do muro de Berlim. O desabamento da cortina de ferro.
Quantos filmes sobre o Vietname estamos fartos de ver? E a segunda guerra mundial? E a primeira já agora? E as bodegas dos filmes que andam por aí sobre a guerra do golfo? Ou os milhares de projectos em cima do joelho que se anda por aí a produzir sobre a guerra no Iraque? É obvio que isto acontece porque a industria em massa do cinema encontra-se nos EUA, mas a Europa no pouco cinema que tem, nunca quis muito lidar com estas questões, pelo menos lidar bem.



“Good Bye Lenin” não é propriamente uma mensagem política apesar de eu o ter interpretado como tal, é a história de um sonho de alguns e amizade de um filho que vai ser reconhecida pela mãe, para quem não viu não vou contar mais.



Ou seja juntamente com a simbologia toda, os líderes políticos marcantes, os sonhos de uma ideologia, mais do que uma nação. Toda a experiência socialista falhou por uma razão, e por uma razão apenas, nunca conseguiram lidar bem com as liberdades, o que o filme mostra é que num ideal formado pela massas, representadas pelo fabuloso actor principal Daniel Brühl (Alexander Kerner), que visiona um país perfeito talvez o sonho da mãe, é um sonho que para alguns está só agora a passar, os mais velhos e mais desprotegidos é que são os mais nostálgicos, na Russia passa-se exactamente isso e não fosse o medo da repressão intelectual, mais do que as necessidades de consumo, e talvez quem sabe as ideias socialistas não tivessem vingado. É certo que esse país é formado em relação à outra parte da Alemanha, mas no fundo tudo se passou um pouco assim, em confronto duas metades, que gritavam para se ligar.



O filme é também uma sátira ao jornalismo efectuado pela RDA, com análises tipo Vasco Graça Moura na TVI depois das eleições europeias – não! Isto foi uma victória! Reparem! Ganhamos isto, ficámos à frente aqui! –

Vejam o filme, ou revejam, vale bem a pena, quem me dera que se fizessem mais filmes sobre histórias marcantes na Europa, feitos por europeus. Então em Portugal! Quais são os bons filmes históricos que nós temos?

MD

segunda-feira, junho 21, 2004

Um momento de inspiração

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Lipstick From The Asylum

When i can't look
The other way
There’s only you
To wonder

And on hard times
A doorway leans on days
As though im needing you
And some have helped me become older
I suggest you’re using me
After moving on

I'm really sorry lost time won't wait
You always took so long
I'm leaving now

All your praising me
Turned tides all over mine
Are you erasing me
Lipstick from the asylum goes on
Something that has stolen us
Always some
Something that has stolen us
Always some

I put it on you and me and now
I hate it all you and me

I put it on you and me and now
I hate it all you and me

I put it on you and me and now
I hate it all you and me

I put it on you and me and now
I hate it all you and me
Lipstick From th Asylum, Alpha, em Stargazing

É que há coisas dos Alpha que são muito boas, novamente gostaria de mostrar-vos esta música, mas não consigo... é pena, a luta continua!
Já falei aqui de Alpha, tenho de arranjar um pesquisador, como esta minha amiga já me aconselhou.

MD

quarta-feira, junho 16, 2004

Miles 1, 2 e 3 porque não o Quatro!

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Ron Carter no baixo e Herbie Hancock no piano começam de maneira genial este disco ao vivo, um concerto sem interrupções, sem escolhas pessoais, um quinteto a vibrar com os melhores sons possíveis, a improvisação está sempre presente, e os solos perfeitamente delineados. Porque a improvisação bem feita é sempre bem delineada, ou muito bem, no caso de se tratar de Miles Davis. Por vezes parece a desordem, por vezes o sopro aflito parece não ir a lado nenhum, mas não pode haver maior engano, Davis no trompete, o génio, deixa-nos sempre onde queremos. Mas não ocupa todo o espaço musical, não é de protagonismos, neste disco podemos ouvir tudo, as estações do ano a tocarem, passos para a perfeição, atitude do Jazz, mas principalmente ouvimos Jazz descomprometido, à vontade, relaxado, rápido, que rompe com tudo e se coaduna com nada.
Por vezes pode parecer insistente, por vezes pode parecer interminável, por vezes pode parecer... mas nada pode por vezes, e por vezes parecer não é nada... em Miles o momento, o tempo, os tempos alargados e perfumados, alargados extasiastes. Miles é o nome de um quinteto, George Coleman no Saxofone e Tony Williams na bateria completam o frenético grupo que não deixa de ter os seus momentos de paz. É um ambiente perfumado de ritmo, está sempre quente e suado, difícil e no final tão fácil, uma conclusão endiabrada, um relâmpago de uma bateria... UM TROVÃO! Isso... um trovão, o flash e os segundos contados para um barulho ensurdecedor e tudo isto em todas as músicas, um sentimento de abatimento, um som que nos arrasa e depois é como se nada se tivesse acontecido, é uma trovoada de verão, ou de inverno, mas bem distinta. Miles Davis é um dos tornados do Jazz porque essencialmente arrebata.
“‘Four’ & More” é um concerto de Miles Davis em vinil mas também, com alguma dificuldade, se consegue arranjar em CD, com o formato de vinil. Tenho alguns CD’s de Miles ao vivo este é o meu preferido, o mais frenético, mas sem dúvida o que mais me faz sentir a sua música, está muito bem gravado e a ligação entre os músicos é num concerto perfeita, maravilhosa, complementarissima (eu sei). Bom concerto!

MD

Foi por causa deste CD que eu queria pôr música no blogue, mas ainda não consegui porque tornaria impossível ouvir com qualidade e entrar no blogue à vontade... ainda estou a tentar.

terça-feira, junho 15, 2004

Alaska introspectivo

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Se há uma série que eu gosto de ver é o Alaska, não só porque as histórias são geniais, e reportam sempre para um estado universal mesmo num sitio muito peculiar. A ingenuidade de alguns personagem em confronto com a personalidade de outros, sem exageros a não ser a nível puramente reactivo, tal como as pessoas normais. Os personagens são brilhantes, nunca cansam, e vejo série sempre que posso na Sic Mulher. Devo dizer que a sonoridade que passa muito pelo Jazz é uma das razões pela qual gosto de me pôr à frente da televisão para a ver, mesmo num episódio repetido. É um mundo muito pouco perdido, onde várias questões sobre filosofia são abrangidas de maneira leve, como muitas vezes devem ser.

MD

terça-feira, junho 08, 2004

Tenho andado perdido e dividido

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O Emmet tem andado muito abandonado, tanto na participação como nas visitas, o que não me preocupa porque só me tira o peso da responsabilidade, a mim e ao Emmet.
Mas existem duas boas razões para isso, a primeira e menos relevante é que estou em época de exames e tenho já um amanha. Isso seria muito relevante não fosse o facto que não pego num livro para estudar à dois anos, vou lendo uma fotocópias de uns apontamentos que vou arranjando de quem tem pena de mim, por isso, vai aqui o agradecimento – OBRIGADO!

De resto a outra razão é um caso sério. Nas minhas aventuras de surf, que já são muitas arranjei nova companheira, as medidas são 6.1 , 11 1/8 , 18 3/16 e 14 11/16 , respectivamente, comprimento, nariz, meio e traseira, rabo, cu ou seja lá o que for, que só não fica peida porque era demasiado sexual para falar da nova beleza que eu tenho, uma prancha novinha, virgem, da semente... É que... como é que eu vou explicar isto? Não bastava a minha tábua ser linda ainda por cima é ideal para mim, e é um foguete! Uma obra de arte saída das mãos de Picos, uma das últimas pranchas que fez enquanto “shaper” da semente, mas que prancha! A evolução que tenho sofrido como surfista é brutal! Apanhava o “mel do mar” com um bacalhau que me andava a fazer mal às costas. Agora, no entanto, tudo é perfeito, e se virem alguém a voar por estas costa do nosso país plantado, sou eu que com um S marcado na prancha, nada mais, e com os S’s marcados na água! Pareço uma criança a voar!



No outro dia lia um post no ondas em que o meu colega no Pastelinho falava no Dark Side of the Moon para ouvir durante uma surfada. Muito gosto! Grande disco! Mas com esta prancha destas só se pode ouvir jazz, e os constantes S’s turbilhões e riscos que tomo com ela! Sou um louco no mar, a ouvir jazz na terra, a levantar-me no ar como me elevo na nota insana de um instrumento preciso numa qualquer banda de jazz! O que eu irei fazer neste próximos tempos no mar é JAZZ! Mais nada: JAZZ!



P.s: necessito explicar à minha namorada, quando ler isto, e para que a reação não me arrase, que o nosso JAZZ é outro e muito mais importante para mim, e fazemos jazz em todos os elementos. Mas naquele “jazz” como costumo dizer-te quando o estamos a fazer até Deus aplaude!

MD

quinta-feira, junho 03, 2004

Mais combersa

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Devo dizer que esta mundo muito próprio dos blogues me agarrou, por vezes gosto mais, por vezes gosto menos, mas tento-me afastar do que não gosto, e do que gosto normalmente faço um link, mas nem sempre, muitas das vezes por preguiça, sirvo-me de um link noutro blogue que tenho linkado aqui, ou no Pastelinho, ou até no Ser Benfiquista. Isto para dizer que acho engraçado as pequenas regras ocultas, a discreta etiqueta ou a mais honrosa maneira de estar nos blogues, no que é relativo a tudo o que existe neste universo bloguistico, mas principalmente no que é relativo aos links. É que para alguns (e eu não estou a dizer que é negativo, acho graça!) responder a um link é uma coisa que não se faz, o que também se entende, há blogues por aí que não têm senão links! Há duas maneiras de ver links, nenhuma delas é infalível porque há sempre erros, a technorati não mostra todos os blogues, o Publicos, por exemplo, que é um dos primeiros blogues com que me relacionei não aparece como meu linkador, e nos refarals do site meter também dá, não acredito muito na fiabilidade daquilo. mas acho piada na mesma a ver estas coisas.
A minha intenção é que nos meus links estejam blogues que eu veja constantemente, não quero ter uma listagem enorme maior que os próprios textos de links que eu nunca vou ver. Mas a verdade é que ultimamente há blogues que me têm linkado não sei bem porquê. Tenho uma desconfiança, mas certezas... Como gostei de todos eles, sem excepção vou linka-los e mais, vou explicar a razão, em poucas palavras de todos os meus links. Por favor se acham que a razão pela qual eu vos linkei é falsa, protestem! Esta secção de links é mais alargada, mas há links que estão a morrer, até agora o único que me lembre que verdadeiramente morreu, porque o seu dono foi tirar férias à custa dos fanáticos bloguistas que invejam um futuro como o seu! O Diabo qualquer coisa já lhe seguiu o caminho.

Ora portanto:
1979, Ser Benfiquista e Pastelinho são mais que um link parcerias, em grande ou quase exclusive parte, com o meu padrinho nestas andanças um grande, grande amigo que também escreve para o Ondas e que eu conheço desde os 3 anos de idade.

Mrs. Mokaccino é uma grande amiga que tem algo a dizer numa altura da sua vida que anda conturbada, é também uma bela fotógrafa

Cuba Libre está quase a morrer, desapareceram misteriosamente os seus posts e nunca mais deu de si, na próxima revisão de links desaparecerá, se não houverem desenvolvimentos.

The Garoupini Chronicals, nem sempre de acordo, mas com um humor ácido e bem ao ponto. É um blogue muito original.

Amunt Valencia histórias de um estudante emigrado, a visão de fora, mas com problemas de postagem, como eu o precebo.

Memória Inventada é o primeiro de blogues que me agarraram porque falam do que querem mas sempre com qualidade, a percepção do mundo e das gentes.

Tomara que caia foi um dos primeiros blogues com que interagi, sem nunca obter uma resposta satisfatória, por vezes gosto muito, por vezes nem tanto.
Lua é um espaço de reflexão como outro qualquer blogue, tem um charme a mais, belas fotos, bons pensamentos, e é do meu curso, o que ajuda a manter o interesse, agora parece que nasceu outro blogue sobre sociologia relacionado com este, mas ainda não tive tempo de lá ir.

Cão de Guarda achei piada a este porque é uma ideia que tive sem o ter visto. Que tal abrir um espaço onde toda a gente pudesse escrever, no fundo a ideia é mais impraticável que generosa, mas não deixa de ser engraçada.

Ad libitum engracei com ele assim que comecei a ler, está cheio de gente interessante, sempre actualizado, por vezes com piada, por vezes muito sério, mas sem dúvida sempre bem escrito.

Blogre o blogre é um problema, é de um amigo meu, que eu considero muito, mas que o último post explica tudo, veio à tona para dizer que estava vivo, para se afogar outra vez, é mais um que na próxima revisão desaparece, para lerem os seus pensamentos vão ao Pastelinho talvez tenham mais sorte.

Laranja Amarga este é um dos melhores blogues que por aí há, escreve-se muito bem, sabe-se do que se fala, seja de política, música, cinema, fotografia, tudo, a primeira vez que o li foi por razões pessoais, agora leio-o sempre com grande prazer.

Incomensurável no seu último post era para escrever que sempre que leio apetece-me responder de uma forma que indica que ando a ficar incomensurávelmente afectado.

Alice no País das Maravilhas é provavelmente a pessoa que melhor escrever por estes sitios, está bem acompanhada, mas a forma de escrever é brilhante, o conteúdo vai do bom para o muito bom, mas nunca é tão bom como a sua escrita que é brilhante, ela não vai ler, mas espero que não leve a mal, é que realmente escreve muito bem.

Crónicas da terra é um blogue sobre música que aprendi. Ponto!

Cócegas na língua fala sobre arte e todas as suas formas e de uma maneira muito interessante.

Não se nasce, fica-se é um blogue que fala de tudo de uma forma irónica, ou melhor sarcástica, porque ali não se tenta disfarçar nada.

Rouba a Alheira o que eu me riu! OINK!

Bloggaridades este blogue parece-me ser dos Verdes (PEV) e tudo o que seja dos Verde é bom!

Ocioso Pensamento são ideias simples mas que picam no sitio certo.

Desportista Urbano há maneiras de olhar para o desporto, esta é sem dúvida uma das minhas preferidas, através deste blogue. Muito bom e imaginativo.

A secção outro acorde acaba porque o Emmet gosta de interagir com outros e conta a sua história através dos seus acordes os outros também. Mas no filme “Sweet and Lowdown” para quem não sabe o responsável pelo nome deste blogue o Emmet gostava muito de fazer pontaria a ratos, eu também gosto, mas de uma forma diferente, estes seguintes também, País Relativo, Cruzes Canhoto, Publicus, Barnabé, Grão de Areia e Porque morremos senhor, leio-os a todos com grande interesse e reflexão, concordo e discordo como devem ser todas as questões políticas.

Depois de tudo isto, e quem aguentou tudo até ao fim, um alívio, já tenho tudo justificado, já que também fico curioso por não saber porque é que me fazem links a mim. Um abraço ou um beijinho e desejo-vos uma boa blogosfera, até já.

MD

Ps: não linkei os blogues dentro do texto porque estão todos ao lado dele e porque seria o caos. Como deve ser o texto, que é tão grande que nem revisão de erros vou fazer, (mas não será excepção!) E este post que inicialmente era para falar de algumas formas de como vêm parar aqui a este espaço! Entusiasmei-me!

quarta-feira, junho 02, 2004

Um grande desabafo

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Sabem que eu Miguel Dias tenho com o Emmet uma espécie de uma relação de simbiose, cheio de pontos em comum mas não os suficientes para vos dizer que sou ele, mas é um refugio, em pouco tempo tem-se tornado no meu refugio preferido nos blogues, e porquê? Porque estou cansado e aqui neste sitio não se fala senão de coisas agradáveis ao Emmet (e não estou bem a falar na terceira pessoa, mas sim numa entidade que se funde comigo). Tenho andado a reparar que tudo é demasiado extremo, tudo é demasiado exagerado e que os interesses no mundo nunca são para o bem estar geral, mas sim corporativos. É por isso que a arte me ajuda a equilibrar a minha vida, ajuda-me a balançar a vida e a descansar dos abusos infligidos todos os dias ao meu intelecto, não ao do Emmet, mas ao meu. O Emmet só quer bons momentos, bons filmes, boas músicas, bons livros, bons discos, bons quadros, bons poemas, boas fotografias, tudo o que seja pensado pelo homem para dar uma cor diferente à vida que temos. Tenho andado a pensar em acabar com o blogue, mas não posso, realmente não o posso fazer. No Pastelinho dou vós às preocupações que tenho, e no Ser Benfiquista dou azo ao meu mais primitivo sentido de corporativismo, porque os clubes são a única instituição a que temos direito de o ser, sem abusos, claro.
O último comentário que fiz foi no Barnabé, um blogue que comecei por ler rindo-me, achava piada, não propriamente aos textos, e eles têm a sua piada também, mas aos comentários por vezes engraçados, por vezes assustadores. Mas cada vez mais se tem tornado um abuso aquele espaço de comentários, e os Barnabés não têm culpa disso, eles expressão a sua opinião com que eu concordo e discordo... mas cansa muito o que se passa! Hoje, ou ontem fizerem um post sobre um partido racista, e a conversa descambou porque uma cambada de ignorantes, COMO SE ISTO FOSSE POSSÍVEL NO SÉCULO XXI !!!!!!!!!! Começou a tentar encontrar relação entre a cor (a cor de uma pessoa, sim é isso!) e a criminalidade... O Emmet tenta afastar-se destes problemas, mas não consegue. Então não é que depois desta merda e da tentativa de alguns “auto-proclamados” defensores da democracia avançarem com estas teorias de merda! Os tipos do partido referido, que eu recuso-me sequer a dizer o nome, apareceram lá todos contentes a comentar mais baboseiras, hoje recomendo uma passagem pelo blogue Barnabé para lhes dar força e para que eles continuem a dar tiros a ratos, como o verdadeiro Emmet gostava tanto de fazer na estação de comboios.



Para finalizar gostava também de deixar aqui uma proposta musical, uma tentativa, bem sucedida a meu ver de Paul Simon recriar ambientes e sons de uma determinada época para contar uma história de um emigrante que foi parar aos Estados Unidos, e o percurso deste "alien" dentro desse país. E como eu gosto daquela última música! Paul Simon com “Songs From the Capeman”.

MD

sábado, maio 29, 2004

Miles 1, 2

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Num concerto o centro é sempre solitário. Por mais que a banda seja totalmente solidária, no jazz o centro muda, reflecte os solos de cada músico. Em Miles Davis não se pode confiar no centro, muitas vezes um amontoado de notas e acordes uma bateria electrizante, e um piano que, (e principalmente Herbie Hancock, mais até que Chick Corea), fazem com que em muitas das composições deste génio, ao nosso ouvido incauto, nos fixemos na generalização do som, o seu todo, o resultado do constante pára e arranca, mas não pode ser assim em Miles, porque todos os instrumentos têm de ser cuidadosamente ouvidos, a atenção deve ser minuciosa, porque num solo de J.J.Johnson, ou de Sonny Rollins seja de quem fosse, Miles tinha a capacidade de no meio do solo, principalmente ao vivo, de ajeitar duas ou três notas que não podiam ficar senão ali, naquele momento. São perfeitas, ninguém faz isso como ele. Muitas vezes o – take it! – eram dois ou três sopros muitos simples e minucioso, perfeitos. No centro Miles distribui, é um líder e é um músico fabuloso.




No meio do místico contemplativo vive um homem que esconde a desgraça que o impediu de fazer ainda melhor, o vício que o transformou, o corpo a cara e a maneira de ser, a morte anunciada não sem antes passar pela sua pior fase, numa tentativa de fusão rock, para voltar qual último suspiro, e deixar este mundo cedo demais aos 65, com tanto para fazer. Mas até o pequeno tropeção se explica pela necessidade constante que tinha de inovar, de procurar coisas novas, de se expressar de maneira diferente. Pelo Miles resta-me ouvi-lo com todo o prazer as únicas alturas em que estava, quando estava, totalmente à vontade consigo e com o mundo, em simbiose com a banda... e os seus músicos. No centro.



MD

Ps: Gostaria de ter feito este post com uma música, mas ela tem mais de 12 minutos e é preciso ouvir e destinguir muito bem os instrumentos, fica para uma outra oportunidade, quem sabe, para ouvirmos todos em conjunto Miles.

quinta-feira, maio 27, 2004

Raios

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Estou quase a conseguir o que eu quero! Graças a ela. O Emmet vai sofrer uma revolução! Infelizmente só para utilizadores de internet rápida, não sei como será com os restantes, mas se houverem queixas desisto da ideia, é uma promessa... afinal tenho de preservar os poucos deste espaço.
MD

terça-feira, maio 25, 2004

O Emmet anda ocupado

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Ando um pouco ocupado por razões estranhas até a mim e não tenho podido escrever muitos posts, mas mais grave e pior ler os outros blogues, espero que estas questões de tempo comecem a ficar resolvidas em breve.

SE alguém poder, no entanto, acho que seria muito bom para este blogue a possibilidade de pôr música, alguma boa alma me sabe explicar como? Agradecia. Um abraço e, espero, até breve.

MD

A magia de Miles

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Como todos os grandes do jazz Miles foi muitas vezes um elemento de encaixe numa banda que queria perfeita para entrar por vezes só quando não houvesse senão outra alternativa. O jogo com os outros elementos da banda é essencial, e ao vivo... bem ao vivo é deus e senhor. Mas hoje a minha proposta é “Ballads & Blues” um CD da Blue Note em que Art Blakey quase sempre na bateria cria um ambiente propicio para J.J.Johnson ao trombone, Horance Silver no piano que em “Weirdo” e no fantástico “It Never Entered My Mind” está magnifico, não esquecendo Cannoball Adderley no saxofone que asfixia a cada melodia, na beleza simples de um sopro.

MD

Quadros expressivos do impressionismo

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Tirando a sua tara por bailarinas, que eu não entendo, Edgar Degas é realmente um dos grandes pintores, impressionista, ou quase, ou mais, trata cada quadro como uma peça a ver à sua luz. Aqui ficam dois quadros, um que me impressiona, e outro que acho engraçado, 1º porque imagino a dor de costas que a pobre coitada da modelo não deve ter tido depois da espera, e segundo porque faz parte de uma teoria muito engraçada de uma série sobre o Indiana Jones em que defendiam, (ou brincavam), que quem tinha feito aquele quadro tinha sido Picasso que nunca gostou de Degas, por na altura ser já considerado um dos grandes, enquanto que Picasso era ainda só uma promessa.


De Edgar Degas, “The rape”


De Edgar Degas, “The Tub”

MD

sexta-feira, maio 21, 2004

A nova revolução dos argumentos

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Ontem fui à minha primeira estreia na quinta-feira, a força de hábito ainda não me tinha permitido alterar o costume da sexta. Devo-vos dizer que adoro ir ao cinema quando o filme é bom, não queria que quem estivesse interessado em ver o filme lê-se o que tenho a dizer sobre ele, preferia que vissem e depois viessem discutir comigo, e me dissessem se gostaram. Por isso parem de ler os que gostam de bons filmes e têm umas horitas para gastar e irem ao cinema ver um filme gravado à frente da lente, um excelente filme, altamente imaginativo, com argumento de Charlie Kaufman, o agora definitivamente brilhante Charlie Kaufman.



De Charlie Kaufman posso dizer que já vi dois filmes, podiam ter sido três, mas do George Clooney só vejo em último caso... é uma embirração, pronto. Mas Kaufman já fez dois filmes muito bons antes deste “Being John Malcovich” e “Adaptation”, juntamente com este “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” (“O despertar da mente”), fazem com que a partir de hoje qualquer filme que venha com a marca de Kaufman eu vou ver, porque efectivamente existe uma marca que ele, como escritor, deixa nos filmes e é de grande qualidade, um bocado perturbada, mas sempre com alguma esperança nem que assente na própria impraticabilidade das situações que nos fazem viver sem que tudo seja fácil ou linear. Nos filmes de Kaufman o argumento tem sempre um erro, não será um erro, mais uma dúvida, algo que não bate totalmente certo, que é mais um dos elementos que gosto nos filmes escritos por ele.


Aqui Jim Carey num filme pouco falado mas muito bom “The Majestic”

Jim Carey faz o papel principal neste filme, o que eu gosto neste actor, e ele é dos meus actores preferidos, é que ele apresenta sempre resultados, ou seja, mesmo nos maus filmes em que participa ele consegue sempre fazer-me rir, porque os maus filmes dele são sempre comédias, os bons, “Man on The Moon”, “Truman Show”, “The Majestic” ou mesmo, e eu sei que é polémico “The Cable Guy”, nestes faz sempre actuações fantásticas, neste novo filme não fica nada atrás, pelo contrário, será o seu melhor filme. Para quem só gosta de ver Jim Carey em papeis de comédia não vão ver “O despertar da mente”.



Quanto ao filme, quem realmente brilha é o argumentista, se analisarmos o filme de uma forma muito superficial encontramos uma história de amor, em que o amor prevalece e todos esses espaços românticos já vistos e revistos. Mas o importante neste filme, como é costume nos outros filmes de Kaufman é a análise que ele faz à psicologia do personagem e dos envolventes a ela, que nos envolve também a nós, as recordações, o que fazemos com elas. Como seria se nós quiséssemos ver livres delas? Há uma parte do filme que elejo como das melhores que o cinema já alguma vez viu, a melhor cena do filme sem sombra de dúvidas, o personagem Joel entra numa parte da sua recordação para explicar aos amigos como é que tudo aconteceu, vai à loja desesperado tentar descobrir quem é o tipo que beijava a sua namorada, mas como não lhe viu a cara, deparando-se com o personagem de costas, sempre que o virava, via-lhe as costas, ainda mais desesperado vira-se e sai da loja, que vai perdendo as luzes, entra no apartamento dos amigos que lhe mostram a razão pela qual tudo aquilo estava a acontecer, a cena está tão genial, que não posso deixar de dar crédito ao realizador Michel Gondry e novamente a Jim Carey. O filme está cheio de cenas surpreendentes por isso adorei-o não só porque me surpreendeu mas porque gostei da viagem ao cérebro de Joel. E já agora ao meu.

MD

Ps: se forem ao site oficial, que recomendo, podem ouvir músicas do filme, que tem uma banda sonora muito boa. Podem também fazer um jogo de memória que se passarem, e não é nada difícil, vêm depois um video-clip um pouco estranho mas engraçado. Espero que não tenham escolhido isto até ao fim, tentei não revelar muito mesmo assim, porque eu sei que a curiosidade é uma coisa tramada. Se não viram vão ver. E já agora vejam o sitio oficial do filme.

terça-feira, maio 18, 2004

Mais fotos de Drigoor, o fotógrafo de serviço

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Sem autorização explicita, mas implícita. Gostava de pôr mais, ele realmente é muito bom nisto! Mais algumas no link aqui ao lado em Foto Rodri.

MD

A bodega no cinema

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É assim com tudo! Eu até já sei! Mas quando me falta dinheiro e quero ir ver filmes há sempre vários, muitas vezes perco-os e tenho de esperar que cheguem ao clube de video, este mês ainda não consegui ir ao cinema! É impressionate como os cartazes até dos cinemas mais alternativos são uma bodega, os poucos aceitáveis já vi, de resto não há nenhum bom! É impressionante! Estas coisas irritam-me! Querem ver que vou ter de ver “Maria e as Outras”? É que não há paciência!

MD

Billie Comp(lica)(ila)da

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Quando vou a uma loja de discos comprar um CD de jazz é sempre complicado apanhar um CD original, normalmente criam-se milhares de compilações, seja qual for o autor, normalmente os autores mais recentes conseguem impor a importância que há em manter uma certa coesão artística, temporal. Em Billie Holiday isso é praticamente impossível, a não ser, e recomendo com grande veemência, arranjar um CD ao vivo, mas ao vivo mesmo, não as compilações ao vivo! Tanto melhor, se a gravação estiver em boas condições podemos apreciar a voz de Billie ao máximo. Ao contrário se quisermos apreciar muito mais da obra dela temos de atravessar no meandros das várias compilações que tem, o risco é que muitas vezes sobre uma capa diferente estamos a comprar o mesmo disco. Nada supera no entanto os dois LP’s em vinil que tenho aqui, o vinil adocica ainda mais a voz deste portento do jazz, nem vale a pena deixar aqui o nome deles porque já nem se arranjam em lado nenhum. O que quer que façam antes de comprar um CD de Billie Holiday, verifiquem o preço, o número de canções, e mais ou menos quais é que são. De resto ouvir Billie Holiday é a única coisa que realmente descansa um espirito depois de tanta trapalhada. Um regalo!

MD

Pedido de desculpas pela minha ausência

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Prometo voltar já amanha, agora quero ir para a caminha enquanto ouço “ballads & blues” de Miles Davis, dele vos vou falar amanha. Não desistam de mim, ainda!
Entretanto actualizei a minha secção de links, espero que gostem! O critério foi apenas um, depois de uma noite a ouvir um concerto na aula magna quis ler sobre o mesmo concerto, só um blogue se referiu a ele, mas li mais coisas sobre o autor...

MD

terça-feira, maio 11, 2004

Miles 1

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No quarto às escuras sereno ouço um piano que se apresenta simples e divertido, anuncia um dos grandes solos de sempre de Miles Davis em “Yesterdays”. Incansável o trompete toca triste quase inconsolável, chora para nós e por nós, na inevitabilidade do passado, do tempo que foi e que tomámos por garantido, a força do único elemento que a natureza não explica, o tempo. O TEMPO de Miles. Ele tenta e puxa por tudo o que são recordações, mas quando se pensa no tempo, até os momentos felizes soam a melancólico; a um fechar de olhos permanente, um sono ou uma vida de que não se têm exactamente imagens concretas, mas recordações difusas. Os dedos do músico continuam incansáveis a recordar o balanço cansado de uma viva curta com “ontens” e “hojes” que não sabemos onde ficaram. Uma réstia de esperança indica que tudo vai correr bem no sopro mais intenso, uma escala que acaba gelada no consciente de que a única coisa pela qual não podemos fazer nada, é aquilo que deixamos por fazer. Mas logo a toada agradável prossegue, talvez relembrar desta maneira seja o positivo dos medos de um futuro assombrado pelo pensamento de “Yesterdays”. O sopro continuo perfeito acompanhado pela bateria que deleitada acompanha morna o passeio cruel daquele trompete eterno, o piano que deixa a sua pequena mensagem, arrasta-se em veleidades e minúsculas indecisões provocadas pelo artista. Para onde vamos? O que é que vamos fazer? Onde é que vamos chegar? Fizemos realmente algo? O passado realmente existe? Ou vivemos sincrónicos na ilusão do futuro? Arrasta-se o solo e o piano adormece a melodia... era um sonho? Ou vivemos num pesadelo?
MD